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No momento há 1 usuário e 43 visitantes online.O ciclo do Lixo Eletrônico - 2. Descarte e reuso
Uma vez encerrada a etapa inicial de consumo e uso de eletrônicos, ou seja, depois que a pessoa ou organização que comprou determinado equipamento já o usou ao máximo, ainda existe uma série de alternativas antes do efetivo descarte para a reciclagem. Esta parte do texto tem uma grande influência de idéias gradualmente elaboradas dentro do âmbito da Rede MetaReciclagem, mas até hoje não implementadas por diversos motivos. Nesse sentido, é muito mais uma hipótese a ser testada do que uma recomendação prática, e conta com a imprecisão de ser uma história contada por um de seus participantes. Como nas outras partes, aguardo críticas e sugestões. O foco principal aqui é estender a vida útil principalmente de computadores junto com projetos sociais, mas é possível pensar em adaptações dessas propostas para celulares e outros equipamentos.
A rede MetaReciclagem
A sociedade do excesso é também a sociedade do desperdício. A cada ano, entre os milhões de equipamentos eletrônicos que vão para o lixo, literalmente se joga fora a oportunidade de ajudar muita gente. Essa foi uma das influências para a criação da rede MetaReciclagem, e é também a motivação por trás de diversos projetos cujo foco é a reutilização de eletrônicos.
A idéia da MetaReciclagem surgiu na rede, como um dos projetos do Projeto Metá:Fora, em 2002. Depois de debater por algum tempo a idéia de receber doações de computadores usados e remanufaturá-los usando software livre, passamos a contar com o apoio do Agente Cidadão, uma ONG de São Paulo que fazia a coleta, armazenamento e redistribuição de qualquer tipo de doação material (roupas, livros, móveis, e também eletrônicos) para associações comunitárias e outros projetos. Em 2003, houve alguma repercussão da MetaReciclagem na imprensa, e passamos a receber um fluxo quase constante de doações. O Agente Cidadão nos cedeu um espaço - que chamávamos de Galpão - e conseguimos arregimentar um grupo de voluntários que freqüentava o espaço a cada semana. A partir de lá, começamos a construir parcerias com diferentes projetos, e logo percebemos que o que estávamos propondo ia muito além do aspecto operacional da coisa - logística, tratamento e redistribuição. No processo de mobilizar pessoas para colaborar, fazer a triagem e a remanufatura dos computadores e por fim direcioná-los acabamos aprendendo muito sobre os diversos processos envolvidos.
Uma questão fundamental que a MetaReciclagem já tocava naquela época era a questão do aprendizado relacionado à apropriação crítica das tecnologias, incentivando a curiosidade sobre o funcionamento interno das máquinas, quebrando a verdadeiro medo que as pessoas têm de manipular a tecnologia - tomá-la nas mãos, entender as elementaridades dela e propor novas combinações. Uma metáfora bastante significativa nesse sentido é o monolito negro do filme 2001 - Uma odisséia no espaço. Enquanto as pessoas tratarem a tecnologia como uma coisa fechada, cujo funcionamento é misterioso - quase mágico, no mau sentido -, estamos longe de conseguir criar um processo efetivo de apropriação dela.
Com o tempo, tivemos a oportunidade de experimentar diferentes arranjos relacionados ao ciclo do reaproveitamento de eletrônicos: montamos outro laboratório de MetaReciclagem no Parque Escola de Santo André, cuja proposta é ser um espaço em que tudo é reciclado. Nessa época, se aproximou da MetaReciclagem o artista plástico Glauco Paiva, que propôs um nível ainda maior de apropriação com a pintura dos gabinetes dos computadores, e com a montagem de instalações em que ora as peças de um computador eram usadas para outros fins, ora o computador era montado com peças que não faziam parte do universo da informática: cadeiras, latões de lixo e outros. Foi também em Santo André que o Dalton conseguiu fazer pela primeira vez um processo em que integrantes de diferentes cooperativas da cidade vinham ao Parque, aprendiam a montar e usar computadores com GNU/Linux, e ao fim do processo levavam os computadores que haviam montado.
O projeto de MetaReciclagem em Santo André foi encerrado por motivos alheios à nossa vontade, justamente numa fase em que estávamos planejando um ciclo em que cooperativas de catadores de lixo separariam os eletrônicos que encontrassem para direcionar para uma cooperativa de montagem de computadores, que trataria de direcionar as máquinas prontas para diferentes projetos sociais. As peças que não pudessem ser mais recuperadas seriam vendidas para uma das (poucas) empresas que fazem o processo ambientalmente adequado de reciclagem. Tivemos reuniões com o pessoal do Agente Cidadão, que tomaria conta da logística, e de diferentes ONGs e empresas. Podia ter dado certo naquele contexto, mas não estávamos com uma estrutura sustentável de desenvolvimento e ficamos reféns do cenário político local.
Enquanto isso, a MetaReciclagem assumia duas características que a transformariam profundamente. Assumia uma natureza sócio-cultural junto com a questão técnica - o que nos unia não era a mera questão de remanufaturar computadores, mas as diversas possibilidades criativas que acompanhavam o processo de desconstruir e reconstruir as máquinas, usando o software livre como desafio e aprendizado. E desenvolvia-se cada vez mais como rede distribuída e livremente replicável - projetos auto-gestionados e integrados à rede eram criados no Rio de Janeiro, em Arraial d'Ajuda, em Manaus e outras partes. Desenvolvemos uma nomenclatura para definir três níveis de interação: os esporos, laboratórios de referência; as conecTAZes, qualquer mobilização de pessoas para utilizar tecnologia "metareciclada"; e a infralógica, uma camada de ambientes online que serviam para integrar as pessoas e projetos. De certa forma, passava também a tratar da naturalização do conhecimento técnico não como algo alheio ao cotidiano, mas buscando o diálogo com características tipicamente brasileiras como a criatividade e sociabilidade cotidianas, presentes em fenômenos populares como as gambiarras e os mutirões.
Na seqüência disso tudo, alguns de nós começamos a auxiliar na elaboração e implementação de políticas públicas relacionadas à inclusão digital, o que gerou resultados bastante interessantes mas teve como efeito colateral baixar a prioridade do desenvolvimento autônomo da MetaReciclagem. Ao longo dessa época, a integração entre os diferentes projetos foi muitas vezes deixada de lado, face a demandas muito mais urgentes do dia a dia. De qualquer forma, hoje o universo da MetaReciclagem envolve algumas centenas (ou milhares?) de pessoas espalhadas por todo o Brasil. E uma coisa permanece: toda semana chegam mensagens de pessoas que têm equipamentos parados e não sabem o que fazer com eles. Um dos caminhos possíveis para a MetaReciclagem agora é retomar o projeto do ciclo completo que tentamos implementar em Santo André, adicionado de uma estratégia de logística distribuída. Abaixo, eu tento esboçar algumas anotações no sentido de construir uma proposta para fazer frente a essa demanda.

Logística Distribuída
Mesmo com a relativamente pequena quantidade de ações voltadas à sensibilização e conscientização acerca dos benefícios de encaminhar eletrônicos para doação, muitas pessoas já procuram orientação sobre como fazê-lo. Na outra ponta, existem diversas organizações e projetos que poderiam se beneficiar desse tipo de recurso. O que falta é exatamente o meio do caminho: um intermediário que retire as doações, organize-as e entregue para quem precisa. Essa era uma das maiores preocupações do saudoso Adilson Tavares, do Agente Cidadão. Por algum tempo, chegamos a pensar que a MetaReciclagem poderia liderar esse tipo de ação, mas levando em conta a escala em potencial desse tipo de ação, é possível também imaginar um sistema de agenciamento online, independente e geo-referenciado, que permita o cadastro de doadores, intermediários e destinações possíveis. Seria necessário acrescentar um mecanismo de reputação e negociação, de maneira que pessoas e organizações que fizeram doações pudessem verificar o que foi feito com elas, e com isso servir de apoio para o agenciamento de novas doações. Poderia funcionar como uma espécie de feira online, nas bases de sistemas de leilões como o mercado livre, mas sem o aspecto financeiro. Outra idéia presente no Mercado Livre é que a logística é negociada a cada transação: o sistema pode oferecer diversas possibilidades, desde os correios até o eventual agenciamento de pessoas dispostas a dar "uma carona" para os equipamentos.
Idealmente, esse sistema adotaria microformatos, para permitir a integração com diferentes portais e sistemas, e seria desenvolvido com software livre. O fundamental em um sistema desses é ele ser aberto à utilização dos diferentes atores: desde os Centros de Recondicionamento de Computadores do Governo Federal até redes como a MetaReciclagem ou qualquer organização interessada em doar ou receber eletrônicos. O apoio de fabricantes de eletrônicos interessados em ações efetivas de responsabilidade social e ambiental, e talvez ainda mais importante, de empresas de transporte e logística, poderia ser também interessante.
A tetrapak desenvolveu um site chamado Rota de Reciclagem que explora alguns usos interessantes de ferramentas online nesse sentido. O portal voluntariado também usa o CEP para encontrar organizações. E projetos experimentais como o Excambo e o Yscambau se propõem a criar sistemas de agenciamento de trocas:
- http://www.rotadereciclagem.com.br/
- http://www.voluntariado.org.br/
- http://excambo.ourproject.org/
- http://estilingue.sarava.org/moin/Yscambau
Empreendimentos sociais
Além do agenciamento direto de transações entre doadores e destinatários de doações, é possível imaginar também projetos que funcionam como entrepostos (não-comerciais): organizam a logística, recebem doações, realizam as diferentes etapas da triagem e da montagem, e agenciam a demanda de suas respectivas regiões e encaminham o descarte final para a reciclagem efetiva. Além do aspecto operacional, esses espaços também podem funcionar como centros de aprendizado técnico, realizando cursos e oficinas. Adotando um posicionamento de infra-estrutura livre, também é possível pensar em interações com artistas locais ou oferecer os computadores como apoio a projetos locais. Existem grandes empresas que consideram a intermediação de eletrônicus usados uma oportunidade de mercado, mas eu quero acreditar que esse espaço pode ser compartilhado com cooperativas autogeridas e pequenos empreendimentos, com reinvestimento do lucro em projetos sociais. Elas trabalhariam em rede com o sistema de logística distribuída, e poderiam ajudar a dar sustentabilidade e retorno sócio-econômico para os pequenos atores do universo da reciclagem de eletrônicos.
- O projeto de MetaReciclagem em Santo André apoiou a criação de um laboratório na Sacadura Cabral e da Informeta, uma pequena empresa que foi citada em matéria da revista A Rede sobre cooperativas: http://www.arede.inf.br
Triagem e Remanufatura
Existem diferentes configurações possíveis para a triagem de eletrônicos usados, dependendo dos objetivos específicos. Seguindo a lógica dos empreendimentos sociais, é possível pensar em uma etapa inicial de triagem para testar os computadores que ainda estão funcionando (aqueles que é só ligar e inicializam). Os que não passarem nessa fase são então desmontados, e seus componentes separados e testados um a um. Aqueles que não funcionam e não podem ser utilizados de maneira alternativa são então encaminhados - também pelo sistema de logística distribuída - à reciclagem efetiva, sobre a qual eu pretendo falar no próximo texto.
Com um certo volume de doações, qualquer projeto pode criar um banco local de peças para a montagem ou a recuperação de computadores. Também é possível realimentar o sistema de logística distribuída com um inventário de componentes que podem, assim como as doações, ser direcionados para os diferentes projetos que deles necessitem. Aqui mais uma vez se pode pensar no agenciamento através de reputação dentro do sistema, ou também pensar em um mercado de escambo de componentes: um projeto pode listar os componentes que não está usando e em troca pedir as partes de que necessite. Eventualmente, as trocas podem envolver não somente componentes, mas ofertas imateriais como horas de trabalho: design gráfico, fotografias, ilustrações, música, etc. Outra etapa interessante do processo de triagem e remanufatura, quando associado a projetos sociais, é a customização dos computadores reciclados, com pintura dos gabinetes, para tirar o aspecto de equipamento velho e aproximar a tecnologia das pessoas.
E como fazer?
Em última instância, todo este texto é um exercício de criação. Tenho certeza de que deixei de lado um monte de outros aspectos do descarte e do reuso, mas aproveitei para tentar estruturar uma proposta tomando por base um pouco da experiência da MetaReciclagem nesses últimos seis anos. Estamos (o lixoeletronico.org) conversando sobre como tirar essas possibilidades do papel, e de alguma forma criar alternativas ao ciclo compulsivo do consumo e descarte. Aceitamos idéias de como ir adiante com isso tudo.
Leia também nesta série:
- O ciclo do Lixo Eletrônico - Visão Geral;
- O ciclo do Lixo Eletrônico - 1. Produção e Consumo;
- O ciclo do Lixo Eletrônico - 3. Reciclagem.
| Anexo | Tamanho |
|---|---|
| infog_reuso.png | 48.43 KB |
- felipefonseca
- 02.10.2008
- 19:41
- Blog de felipefonseca
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Queria saber se existe alguma empresa no Maranhão na qual podemos mandar o nosso "querido" lixo eletrônico
Oi FF e demais,
tenho passado sempre meio por perto, meio por longe das conversas da meta-reciclagem e lixoeletrônico. Este texto do FF e os diálogos dele entraram profundamente no debate atual que estamos tendo, em todo o Brasil, na economia solidária: a questão da "inteligência" de intermediação, de ligação oferta-demanda, mas ao mesmo tempo sem repetir padrões do sistema atual que acaba levando a apropriações e concentração extrema de poder e grana em pontos das várias cadeias.
Podem contar comigo, tô dentro dessa história, que na minha opinião vai ainda além da intermediação do lixo eletrônico, mas pode também tratar questões ligadas à alimentação se pensamos no esquema do "caminhão cheio na ida e na volta" do intercâmbio em iguais condições entre campo e cidade.
Estamos tentando trabalhar isso no sistema do Fórum Brasileiro de Economia Solidária (ainda sem nome, em desenvolvimento pela cooperativa Colivre da Bahia). Reproduzo aqui uma descrição do mesmo, e vocês verão que, especialmente nos pilares 3 e 4, estamos falando de coisas muito próximas! Por isso, bora articular! que tal um chat para tentarmos traçar algumas linhas de estratégias desta articulação?? Bem, aqui vai o texto sobre o que é o sistema do FBES:
"O Sistema FBES (ainda sem nome) é uma iniciativa do FBES, com os seguintes objetivos principais: potencializar o fluxo de saberes, produtos e serviços da Economia Solidária; oferecer ferramentas para a constituição de consolidação de redes e cadeias solidárias; ser um espaço de divulgação da economia solidária e de busca de seus produtos e serviços; permitir a interação entre vários atores em comunidades virtuais e espaços territoriais, temáticos e econômicos.
O sistema FBES é baseado em 4 pilares fundamentais, que permitem a melhor compreensão sobre sua natureza, descritos abaixo:
1. CMS (Sistema de Gestão de Conteúdos): isso significa que conteúdos, textos, documentos, e agenda de eventos podem ser inseridos de maneira descentralizada por pessoas que não entendem nada de programação nem de linguagens de computador.
2. Teia de relacionamentos: cada usuário/a tem uma página própria. Nesta página, a pessoa pode colocar suas idéias, fotos, eventos, mostrar de quais empreendimentos solidários participa, de quais empreendimentos costuma comprar produtos, os temas que te interessam, entre outras coisas. Além disso, há as comunidades virtuais, em que cada usuária/o ou empreendimento pode participar: Estas comunidades podem ser comunidades territoriais (de pessoas de um mesmo bairro, território ou região); comunidades temáticas (por exemplo, comunidade para debater logística solidária, ou a comunidade sobre formação e economia solidária, ou agroecologia, etc), ou comunidades econômicas (por exemplo, a comunidade do artesanato, ou a comunidade da cadeia do mel, ou a comunidade das lojas solidárias, etc....). As possibilidades serão infinitas de se relacionar, encontrar pessoas do movimento, trocar idéias e articular politicamente.
3. Organização em Recortes ou "Espaços": Cada pessoa, texto, foto, evento, comunidade, documento ou qualquer outro tipo de conteúdo pode ser categorizado (no caso de pessoas, trata-se de "interesses" ao invés de "categorias"). Estas categorizações permitem que seja possível navegar em RECORTES (ou "espaços") específicos, e lá ficar sabendo tudo o que há no conjunto do sistema relacionado a este Recorte. Por exemplo, entrar no "Espaço do Artesanato", e lá haverá os eventos do artesanato, as pessoas que se interessam ou lidam com esta área econômica, os empreendimentos que estão neste ramo econômico, os textos, documentos, vídeos e imagens sobre artesanato (ou seja, uma "biblioteca do artesanato"), etc. Quando alguém entra num Recorte, é como se entrasse num portal dentro do sistema, em que tudo o que você vê tem a ver com a categoria escolhida. Existem 3 tipos de Recortes ou Espaços: Os recortes territoriais ("espaço de minas gerais", "espaço do nordeste", etc), os recortes econômicos ("espaço da agricultura", "espaço da apicultura", etc.), e os recortes temáticos ("espaço da mulher", "espaço do meio-ambiente", "espaço do consumo consciente", etc).
4. Inteligência econômica de redes solidárias: Sistema de inteligência para divulgação, comercialização e logística de produtos e serviços da Economia Solidária. Isto implica numa série de funcionalidades, como por exemplo: Cada empreendimento solidário cadastrado tem um site para o seu empreendimento, em que pode divulgar os seus produtos/serviços, fotos, preços, formas de comprar; Grupos de consumidores poderão organizar suas compras coletivas por dentro do sistema, tendo empreendimentos solidários em rede como fornecedores; O sistema incorpora o "farejador da Economia Solidária", em que qualquer um(a) pode fazer buscas de produtos e serviços da Economia Solidária, podendo também fazer filtros por tipo de produto e região; Diagnóstico de redes (como no caso do solidarius.com.br), permitindo ao movimento de economia solidária ter informações e funcionalidades para logística e potencialização da articulação em redes e cadeias solidários; Possibilidade de entidades, instituições, governos e empreendimentos colocarem suas listas de compras institucionais que serão divulgadas automaticamente para os empreendimentos solidários; Incorporação de moedas sociais a partir de moedas sociais reais de grupos; Possibilidade do empreendimento fazer seu plano de negócios e determinação de preço e ponto de equilíbrio pelo sistema; Visualização de acúmulos de oferta e de demanda, permitindo casamentos; Enfim, este pilar "econômico" é a inteligência mais profunda do sistema, que dá o seu grande diferencial enquanto um sistema da Economia Solidária, e contempla funcionalidades para empreendimentos solidários de produção, de comercialização, de serviços e de consumidores, além de funcionalidades para fóruns, redes e entidades poderem organizar planejamento e logística solidária. Para ver um conjunto inicial de funcionalidades pensadas para este pilar "econômico", veja os resultados da oficina realizada em maio de 2008: http://www.fbes.org.br/?option=com_docman&task=doc_download&gid=759
Bem gente, vamos conversar? Para contatos físicos, estou em Brasília-DF...
Valeu o texto FF, tá bom demais!!
Ei Tygel
Valeu pelo comentário. Minha dúvida sobre uma possível aproximação é que a questão do lixo eletrônico tem lá suas idiossincrasias. O sistema que vocês tão desenvolvendo tem possibilidade de extensões/customizações?
Vamos conversando...
abrá
Oi FF e demais,
tem total abertura para customizações, etc.... para informações técnicas, basta ver aqui. O código está disponível, o roadmap, a documentação técnica, etc...
http://www.colivre.coop.br/Noosfero/SistemaFBES
http://www.colivre.coop.br/Noosfero
avaliem o que acham...
tive uma boa conversa por chat com daniel pádua sobre o possível sistema de transação de doações:
Daniel Pádua: até que ponto o modelo "mercado livre" estimula a generosidade?
Daniel Pádua: gosto da sensação que o agente cidadão promovia
Daniel Pádua: tipo "po, vou dar pra alguém isso pq pode ser útil"
Daniel Pádua: não rolava monetização
fff: boa questão
fff: pode levar a uma estagnação pelo vício na contrapartida
fff: e aí volta pra conversa de cloud computing
fff: até que ponto a gente consegue emular confiança em uma rede online?
Daniel Pádua: essa rede mediadora de generosidade
Daniel Pádua: é boa sim
Daniel Pádua: mas sacou o meu ponto sobre modelo "mercado livre"?
Daniel Pádua: não precisa criar especulação dos valores compartilhados no sistema
Daniel Pádua: boto fé em uma parada focada na generosidade e brodagem
Daniel Pádua: organizada como um serviço de frete
Daniel Pádua: tipo, o sistema ofereceria duas entradas:
Daniel Pádua: 1) quero doar 2) quero sacar a demanda da galera
fff: sim
fff: mas acho interessante de qualquer forma ter a onda de karma points pra agentes
Daniel Pádua: e qual seria o lastro desses karma points?
fff: isso pra mim é uma coisa que daria pra chmar de 'mercado', 'bazar', 'feira de escambo'
fff: lastro nenhum
fff: opinião de quem doou e quem recebeu
fff: número de transações
fff: a transação como unidade básica do sistema
fff: e o relacionamento como camada construída dinamicamente em cima disso
fff: cada transação pode ser efetivada ou não, e ser bem avaliada ou não
Daniel Pádua: esses karma points pra mim deveriam funcionar mais como os Kudos do ohloh
Daniel Pádua: "só pra constar"
fff: pode ser
fff: não inviabiliza a transação
fff: mas outras pessoas podem consultar
fff: não tem um karma mínimo pra operar no sistema
Daniel Pádua: claro, se isso vira condição para transacionar, vira mercado
fff: se bem que era bom ter alguma maneira de inviabilizar quem não é generoso
fff: mas não pode ser condição
fff: e sim apoio
Daniel Pádua: exato
Daniel Pádua: desenha um wireframe desse fluxo?
Daniel Pádua: e me manda?
Daniel Pádua: eu queria, mas aí tu tem de começar
Daniel Pádua: rascunha e me manda
Daniel Pádua: daí eu devolvo e aí vai
Daniel Pádua: sair do papo dissertativo
Daniel Pádua: se pans
e continuando a conversa sobre o sistema, agora com o dalton:
fff: bora andar com ela?
dalton gmail: bora
fff: e aí abrir a especificacao e o registro no servidor pra qualquer esporo
dalton: num entendi essa parte de especificação e registro?
fff: pensa em um serviço aberto
fff: com microformats
fff: com autenticação distribu[ída
fff: esquema jabber/XMPP
fff: a base do sistema é a transação
fff: usuárix autentica, efetua um pedido de transação ou oferece uma transação
fff: realiza a transação
fff: e a rede pode dar feedback
dalton: até aí, tudo bem
dalton: é a base do que a gente vem falando do lance
dalton: xemele
dalton: mas, que tipo de transação?
fff: na real o sistema é bem simples
fff: transação é oferecer - intermediar - receber
fff: limitar o escopo mesmo
fff: e na real esse é o motivo pelo qual eu acho interessante isso ser em paralelo à metarec
fff: porque todo o lance cultural e simbólico não precisa estar representado aqui
fff: nesse caso específico, se a gente for tentar incorporar identidade e rede, só atrapalha
fff: porque tem muita gente que não quer compartilhar sentido
dalton: de doações, vc. fala?
fff: doações, sim
fff: o foco aqui não é a revolução profunda da sensibilidade do tocar na máquina
fff: mas uma possível solução, mesmo que insuficiente, para uma demanda de lixo eletronico:
fff: oferta grande de um lado, demanda grande do outro, e falta de canais confiáveis de intermediação
dalton: sim
dalton: é a busca
dalton: de alguns anos
mais uma referência que ficou de fora do texto (sim, são muitas) é a rede freecycle, que agencia pela internet doações de um monte de coisas:
http://www.freecycle.org/
Estava pesquisando meta reciclagem e encontrei vocês. Comecei a ler seu texto para entender, pois a esta altura já estava empolgado. Me lembro de algo me soar familiar e lembrar vagamente a idéia do Agente Cidadão e dos meninos Adilson e Ike. Batata! No trecho em que tu contas a história e a relação com o Adilson já estava feliz por ter feito parte deste pedaço da história. Conheci o Adilson há muitos anos atrás ainda no Roupa Velha, ou usadas, não me lembro. Dirigia um abrigo para crianças e jovens na Vila Mariana. Ele começou a nos trazer doações. Num dia por acaso eu o recebí e nessa primeira conversa me apaixonei pela idéia e pelo seu inventor, o Mestre Adilson. Durante muitos anos continuamos a nos relacionar e só vendo a idéia do Adilson crescer e causar furor. Na última vez que nos falamos foi numa visita ao Galpão do Agente, no shopping SP Market. E hoje fico feliz de encontrar vocês materializando o que quando conheci o Adilson causou um rebuliço no meu modo de pensar (Desde então nunca mais abandonei a idéia de logística no meu modo de pensar e nas minhas ações)Logística da e para a cidadania. Na época pensamos que esta idéia criaria um bom nas organizações sociais e nos seus modos de ver e fazer as coisas. É uma verdade e continuo acreditando nela. Na época propus e ele estava empolgado com a idéia de dinamizar troca entre os projetos. A oficina de recuperação de computadores estava começando no Galpão e agora aí estão vocês. Mas mais impressionante ainda era a crença inabalável dele ao ponto de se tornar parte de sua identidade, de sua personalidade e impregnada no espírito de uma organização, no que você chama de reputação. Ele e sua maquininha fotográfica já dizia isso. Adilson dizia que a confiança construída no doador ao saber a utilidade e efetividade de seu gesto era tudo. Tive oportunidade de constatar o efeito pedagógico, aprimorando a educação da solidariedade, criando estreitando laços e compartilhamento do sentimento de esperança de que um dia destes viramos o jogo. Vejo nestes quase trinta anos de trabalho com organizações sociais o bem e a imensa contribuição que o Adilson e o Agente Cidadão proporcionaram as organizações e ações sociais, levantando a bandeira da ética solidária, da logística criando redes sistêmicas e multidimensionais, retroalimentáveis. Os teóricos que jorram ainda muita baboseira sobre redes e seu principal desafio, vida, dinamismo não deram o devido reconhecimento a mente brilhante do Adilson e da experiência do Agente Cidadão.
Vocês sim.
Fiquei triste e apreensivo quando você se referiu a ele como "...saudoso Adilson...". Por favor me esclareça esta dúvida que insiste em me tentar a tristeza.
Além do mais acredito que possamos continuar conversando pois acho que temos muitas afinidades e interesses que podem ser compartilhados. Estou morando em Perus e promovendo diversas ações sociais, principalmente com jovens.
Muito prazer em conhecê-los.
Desde já saibam que contam com um admirador e adepto do "vamu que vamu"!
José de Souza Queiroz - Soró
Olá José
Respondi por email
Felipe, tá muito rico o material. Claro e Direto.
Você acha que inventários (listas) de competências/tempo e de materiais poderiam ser viabilizadas nos Esporos e Conectazes?
acho que na hipótese de esse sistema ser independente e usar microformatos, certamente dá pra rede_metareciclagem dialogar com ele. não acho que a gente deva hospedar toda a movimentação, que envolve diversos projetos...
na pressa de publicar, esqueci de mencionar o farejador da economia solidária, que também é georeferenciado:
http://www.fbes.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=3748&It...